Em audiência pública realizada pela Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, a defensora pública-geral de São Paulo, Luciana Armiliato de Carvalho, destacou o uso de tecnologias para apoiar mulheres vítimas de violência. Desde 2020, uma assistente virtual chamada Júlia permite o registro de boletins de ocorrência a qualquer hora.
Luciana informou que, entre 2020 e 2026, quase 36 mil atendimentos relacionados à violência doméstica foram realizados. Entre 2023 e 2025, houve um aumento de 15% nos pedidos de medidas protetivas urgentes feitos por meio da assistente virtual.
“Hoje, 23% dos atendimentos da Defensoria Pública ocorrem fora do horário comercial, e 11% nos finais de semana. Isso se deve à tecnologia disponível 24 horas, essencial para mulheres que precisam de ajuda em momentos críticos”, afirmou a defensora.
A coordenadora da Delegacia de Defesa da Mulher online, Jamila Jorge Ferrari, também mencionou que, durante a pandemia, foram adotados registros de ocorrência online, com 26% dos boletins de violência doméstica sendo feitos eletronicamente. O pedido de medida protetiva é enviado automaticamente ao Judiciário para uma resposta rápida.
Rafael Wanderley, do Direito Ágil, apresentou a plataforma Maria da Penha virtual, que já atendeu 16 mil mulheres vítimas de violência. Durante a reunião, Luciana defendeu a criação de uma base nacional de registros de violência doméstica para integrar os diversos órgãos públicos e facilitar o acesso das vítimas aos serviços.
A deputada Luizianne Lins sugeriu a realização de um seminário sobre novas tecnologias no combate à violência contra a mulher, integrando as atividades dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que ocorre anualmente de 25 de novembro a 10 de dezembro.