As deportações em massa dos Estados Unidos e as falhas no acolhimento de migrantes no Brasil foram os principais temas discutidos em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira (8).
A audiência foi resultado da mobilização internacional de parlamentares e da sociedade civil durante a Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania, ocorrida em março. Bárbara Corrales, integrante do comitê da jornada em São Paulo, destacou a intensificação do movimento devido à atuação do ICE, o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos EUA, que prendeu 10 mil pessoas em apenas cinco dias.
Corrales também mencionou que, entre janeiro de 2025 e junho deste ano, aproximadamente 600 mil pessoas foram deportadas, incluindo 4,6 mil brasileiros. A organizadora do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, relatou a difícil situação dos migrantes brasileiros em Boston, descrevendo um ambiente de medo e pavor.
A diplomata Carlota Ramos, do Ministério de Relações Exteriores, afirmou que o Brasil busca proteger os direitos de migrantes e refugiados, destacando ações como a Operação Acolhida e o primeiro Plano Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia.
O deputado Rui Falcão (PT-SP) pediu o fortalecimento do Programa Aqui é Brasil, que visa reintegrar brasileiros deportados, e sugeriu a formação de uma delegação de parlamentares para verificar a situação dos brasileiros presos nos EUA. Durante a audiência, migrantes no Brasil relataram desafios como racismo e xenofobia.
A nigeriana Constance Salawe enfatizou que a legislação migratória brasileira é avançada, mas precisa ser implementada. Outros participantes, como a palestina Muna Muhammad Obdeh, ressaltaram a importância dos direitos humanos na reconstrução de suas vidas no Brasil.