As mulheres representam 52,84% dos 158.745.463 eleitores aptos a votar nas Eleições 2026, segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral. O percentual feminino teve um acréscimo de 0,2 ponto percentual em relação às eleições gerais de 2022.
O eleitorado idoso (60 anos ou mais) cresceu nos últimos quatro anos, passando de 21,02% para 23,60% do total. Mais de 4,5 milhões de brasileiros ingressaram nessa faixa etária. O grupo com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, reúne cerca de 15 milhões de votantes.
O cientista político Carlos Oliveira avalia que o interesse por temas coletivos se mantém com o avanço da idade. “Pessoas que já tinham muito interesse por política, pessoas que se viam representadas, continuam tentando participar da democracia por meio do voto”, afirmou.
Para a coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Pública Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, o envelhecimento populacional tende a impactar as campanhas. “As pessoas estão chegando mais saudáveis, mais ativas, a uma idade mais avançada. Isso tem mudado o perfil do eleitorado para incorporar uma parcela cada vez mais significativa de pessoas mais velhas, alterando a oferta de discursos e de políticas públicas por parte das lideranças”, disse.
Entre os jovens de 21 a 34 anos, a participação caiu de 28,01% para 25,85%. No grupo de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, a proporção de títulos emitidos recuou 14,52%. Carlos Oliveira explica que o engajamento familiar é determinante para a emissão do título na adolescência. “Se a família e os colegas são engajados politicamente, a probabilidade de o jovem tirar o título e votar é maior”, destacou.
Segundo cruzamentos demográficos, 47% do eleitorado recebe até dois salários mínimos, com maior concentração na Região Nordeste e nas periferias urbanas. A faixa entre dois e cinco salários mínimos abrange 37% dos votantes, e apenas 2% declaram renda superior a cinco salários mínimos. Mayra Goulart aponta que a vulnerabilidade socioeconômica afasta o cidadão das urnas. “Observa-se no eleitorado mais pobre uma maior probabilidade de abstenção. Com isso, essa parcela acaba sub-representada porque exerce menos o direito ao voto por barreiras materiais: não tem com quem deixar os filhos, mora longe da seção ou precisa trabalhar no dia. Essa é uma questão central para o poder público enfrentar”, afirmou.
Com o aprimoramento da autodeclaração no cadastro eleitoral, os dados de identidade étnico-racial apresentaram aumento expressivo. O contingente de pessoas com deficiência no cadastro eleitoral bateu recorde, totalizando 1,45 milhão de eleitores – o dobro do observado nos últimos oito anos. A legislação eleitoral e as normas do TSE também garantem o direito ao voto a pessoas presas provisoriamente (sem condenação penal transitada em julgado) e a adolescentes internados em cumprimento de medida socioeducativa.