O Ministério Público do Maranhão (MPMA) abriu, na manhã desta segunda-feira (3), a campanha Agosto Lilás, de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. O evento ocorreu no auditório do Centro Cultural e Administrativo do MPMA, em São Luís, e contou com a participação de membros do MPMA, de outros Ministérios Públicos do Brasil, de instituições do sistema de justiça e da sociedade civil.
Na abertura, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO-Mulher), promotora de justiça Sandra Fagundes Garcia, alertou para os números alarmantes de feminicídios no país. Segundo ela, em 2025 foram registrados 1.571 casos no Brasil, uma média de quatro mulheres mortas por dia. No Maranhão, em 2026, já são 17 registros. “Diante disso, pergunto em que ponto estamos falhando, onde estamos errando em não reconhecer o risco real que as mulheres sofrem, até que ponto transferimos essa segurança para vítima? Quando a mulher precisa fiscalizar o seu agressor apenas com um papel na mão, não podemos dizer que fizemos a nossa parte”, refletiu.
O procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, também demonstrou preocupação com os altos índices de violência contra a mulher, mesmo com o avanço da legislação e das medidas de proteção. Ele destacou a necessidade de conscientizar os homens mais jovens como forma de prevenção. “Apesar das instituições especializadas no combate à violência contra a mulher, esse índice infeliz não diminui. Precisamos trabalhar mais com os jovens e setores que precisam ser conscientizados”, disse.
Também se pronunciaram os promotores de justiça Carlos Augusto Soares, presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão, e Maria de Jesus Heilmann, promotora auxiliar da Escola Superior do Ministério Público (ESMP). Estiveram presentes a corregedora-geral do MPMA, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro; a ouvidora Selene Coelho de Lacerda; a juíza Lúcia Helena Heluy; a secretária adjunta de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Estado da Mulher, Rhayna Saraiva; a tenente-coronel da Polícia Militar, Virginia Lemos; a subdefensora-geral da Defensoria do Estado, Elainne Alves Monteiro; a representante do Tribunal de Contas do Estado, Elmorane Coelho; e a vereadora Thay Evangelista.
Neste ano, a programação de abertura teve como tema o histórico de violência sofrida pela mulher camponesa do Maranhão. Quatro quebradeiras de coco babaçu foram convidadas para a mesa-redonda “Os desafios enfrentados pelas mulheres de comunidades tradicionais extrativistas do Maranhão”: Francisca Cilene Silva de Morais, Sebastiana Gomes Sirqueira, Antônia Dalva de Sousa Silva e Maria das Dores Vieira Lima. Elas relataram suas trajetórias e as violências decorrentes, principalmente, de conflitos agrários. A mediação foi da promotora Sandra Fagundes Garcia.
A mesa antecedeu a palestra “Desafios contemporâneos do sistema de justiça no combate à violência de gênero”, proferida pela promotora de justiça do MP do Amazonas, Karla Cristina da Silva Reis. Maranhense de Imperatriz e neta de quebradeira de coco, ela discorreu sobre as questões contemporâneas da violência de gênero. “É preciso entender de onde vem essa violência, de que forma se comporta e se transforma em nossa sociedade e buscar possíveis soluções no sistema de justiça para melhorar a proteção das vítimas dessa violência”, frisou.
A campanha segue ao longo do mês com webinário em São Luís (dia 7), seminário em Imperatriz (dia 17), palestra em São Luís (dia 25) e em Timon (dia 26).