Em alusão ao Agosto Lilás e aos 20 anos da Lei Maria da Penha, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) realizou, nesta terça-feira (25), a palestra “Para além da denúncia: redes, prevenção e responsabilização no enfrentamento à violência contra a mulher”. O evento ocorreu no Auditório do Centro Cultural e Administrativo, em São Luís, e foi organizado pela Escola Superior do Ministério Público (ESMPMA) e pelo Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAO-Mulher).
A palestra foi ministrada pela psicóloga Ariane Goim Rios Valença, mestre e doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp, e contou com a participação de membros, servidores, residentes e estagiários do MPMA, além de estudantes e integrantes da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O analista psicólogo Eliandro Cruz Araújo atuou como debatedor, e a promotora de Justiça Sandra Fagundes Garcia, coordenadora do CAO-Mulher, mediou o debate.
Na abertura, a promotora auxiliar da ESMP, Maria de Jesus Heilman, destacou a importância de os participantes serem multiplicadores da mensagem de combate à violência. “O Ministério Público está numa campanha intransigente no sentido de fazer com que chegue ao conhecimento das pessoas, inclusive dos jovens, a necessidade de se dizer não para violência”, afirmou.
A coordenadora do CAO-Mulher, Sandra Fagundes, enalteceu os avanços trazidos pela Lei Maria da Penha. “Antes o homem que cometia qualquer tipo de violência contra a mulher era considerado apenas um covarde. Hoje, de fato, ele é um criminoso. Não se permite mais entrega de cesta básica para puni-lo. Ele vai preso realmente. Sem falar de outras iniciativas, como a medida protetiva de urgência, a criação da Patrulha Maria da Penha”, citou.
Durante a palestra, Ariane Rios apresentou dados sobre feminicídio no Brasil e no Maranhão. Em 2025, o país registrou 1.571 casos, um aumento de cerca de 4% em relação a 2024 (1.504). No Maranhão, foram 51 casos em 2025, uma redução de 26% ante o ano anterior (69). Contudo, as tentativas de feminicídio cresceram 36,5%, passando de 109 para 149.
A psicóloga abordou as raízes da violência e ressaltou a importância da prevenção, especialmente entre crianças e adolescentes. “É muito importante direcionar as ações, de fato, para crianças e adolescentes, priorizando uma educação socioemocional e revendo um pouco desses conceitos de masculinidade”, pontuou. Ela também criticou a masculinidade padrão, que impede os homens de expressarem emoções, contribuindo para a falta de regulação emocional em relacionamentos frustrados.
Ariane Rios apresentou exemplos de programas de prevenção focados em meninos, escolas e famílias, e observou que “a violência não acontece só contra a mulher, ela está no mundo, e a nossa sociedade naturalizou a violência como quase um idioma”.