domingo, 30 de agosto de 2026
Postado emMaranhão, Vida e Saúde

MPMA reúne especialistas para debater impactos dos agrotóxicos no Maranhão

MPMA reúne especialistas para debater impactos dos agrotóxicos no Maranhão
MPMA reúne especialistas para debater impactos dos agrotóxicos no Maranhão
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O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) promoveu, nesta terça-feira (4), a 3ª Reunião do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FNCIAT). O evento, realizado no auditório do Centro Cultural e Administrativo do MPMA, em São Luís, reuniu representantes de instituições públicas, pesquisadores e lideranças de comunidades afetadas para discutir os danos causados pelo uso indiscriminado dessas substâncias.

A abertura contou com a presença do procurador-geral de justiça em exercício, Francisco das Chagas Barros de Sousa, que reafirmou o compromisso do MPMA com a atuação conjunta. “É por meio da cooperação entre os diversos ramos do Ministério Público, das instituições de pesquisa, dos órgãos públicos e da sociedade civil que se constrói respostas mais eficazes para problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população”, afirmou.

O promotor de justiça Fernando Barreto destacou a importância da conscientização da sociedade sobre o tema. “O Ministério Público e as outras instituições podem fazer muita coisa, mas quem faz de verdade a mudança da percepção ambiental é a própria coletividade. Enquanto ela não absorve que este é um tema que lhe interessa, político não se importa”, alertou.

Já o promotor Cláudio Rebêlo Alencar, coordenador do Fórum Maranhense, chamou atenção para a aplicação irregular de agrotóxicos no interior do estado, que tem expulsado comunidades tradicionais de seus territórios. “Deve haver, no mínimo, uma redução sensível (do uso da substância) e uma regulamentação com zonas de exclusão, com uma rigidez muito maior, principalmente com relação à utilização de aeronaves, que tem sido o problema do momento que nós estamos enfrentando”, sugeriu.

A pesquisadora Larissa Bombardi, da Universidade de São Paulo (USP), apresentou dados alarmantes: dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia por causarem câncer, malformação fetal ou alteração hormonal. Ela citou o fungicida Mancozebe, proibido na Europa em 2021, cujo uso cresceu quase 5.000% no Maranhão.

Lideranças quilombolas de Parnarama, a 500 km de São Luís, relataram os impactos da pulverização aérea. Marli Borges denunciou o desaparecimento de frutas típicas do cerrado e problemas de saúde na comunidade. “Nós do campo não sabemos viver de outra maneira, só sabemos viver do nosso território, das nossas matas, dos nossos animais. A pulverização aérea destrói tudo, as frutas, as plantas, a nossa roça e até a nossa água e o nosso ar”, protestou.

À tarde, o evento teve palestras e informes sobre estratégias de enfrentamento, com participação de entidades como a Fiocruz e a Comissão Pastoral da Terra. O encontro começou no dia 3 de agosto com visitas institucionais em São Luís.

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